Reading
Add Comment
Hoje foi nosso último dia de passeio em Lisboa e, depois de caminhar bastante pela cidade, acho que já dá para registrar algumas impressões.
Entre todas as capitais que visitamos nesta viagem, Lisboa foi a que nos pareceu mais pobre e também a mais bagunçada. É claro que estamos falando apenas da nossa percepção como turistas, mas foi impossível não notar prédios mal conservados, fachadas deterioradas, pichações, calçadas irregulares e alguns pontos históricos que poderiam estar mais bem cuidados.
Lisboa viveu nos últimos anos um enorme crescimento do turismo, e isso trouxe dinheiro e desenvolvimento, mas também uma pressão muito grande sobre a cidade. O aumento do custo de vida e dos imóveis, a dificuldade de muitos moradores para continuar vivendo nas regiões centrais e a grande quantidade de edifícios antigos que ainda precisam de recuperação talvez ajudem a explicar um pouco do contraste que encontramos por aqui.
Ao mesmo tempo, Lisboa tem uma personalidade muito própria. É uma cidade antiga, cheia de história, construída sobre colinas, com ruas estreitas, ladeiras, miradouros e bairros que parecem ter parado no tempo. Talvez seja justamente essa mistura de decadência, história, beleza e desorganização que dê à cidade uma identidade incomparável.
Dito isso, hoje foi dia de conhecer mais pontos turísticos.
Saímos do hotel perto das 10 da manhã e poucos metros depois já começamos a subir muitos, mas muitos degraus em direção à Mouraria, um dos bairros mais antigos de Lisboa.
Seguimos até o Miradouro da Senhora do Monte, um dos pontos mais bonitos para ver a cidade. Lá do alto é possível enxergar o Castelo de São Jorge, o centro histórico, o rio Tejo e muitos telhados.
Depois de tirar muitas fotos continuamos caminhando até chegar a outro miradouro, as Portas do Sol, com uma bela vista de Alfama.
E ainda faltava mais um, o Miradouro de Santa Luzia, com seus azulejos portugueses, o pequeno jardim e outra linda vista da cidade.
A essa altura, já estávamos praticamente fazendo uma pós-graduação em miradouros lisboetas.
Começamos então a descer pelas ruas de Alfama, um verdadeiro labirinto de vielas, escadarias, becos e casas antigas.
Passamos pela Rua do Fado, em uma região intimamente ligada à cultura portuguesa. Alfama é considerada um dos grandes berços do fado e suas ruas estão repletas de casas de espetáculos, restaurantes e referências aos grandes nomes desse gênero musical.
Continuamos descendo até chegar à Sé de Lisboa, a igreja mais antiga da cidade. Construída no século XII, depois da conquista de Lisboa pelos cristãos, a catedral passou por terremotos, reformas e reconstruções ao longo de sua história.
De lá retornamos ao Chiado para cumprir um compromisso importantíssimo da nossa passagem por Lisboa: tirar uma foto com Fernando Pessoa!
Missão cumprida, finalmente estava na hora do almoço.
No Chiado pegamos um ônibus e, cerca de cinco quilômetros depois, chegamos ao restaurante Casa do Bacalhau.
O restaurante fica no bairro de Marvila, uma região da zona oriental de Lisboa que durante muitos anos teve forte presença industrial. Nos últimos tempos, antigos armazéns e fábricas começaram a dividir espaço com restaurantes, cervejarias e galerias.
E aí sim! Finalmente apareceu o bacalhau que estávamos esperando desde que chegamos a Portugal. Simplesmente sensacional. Super bem servido e delicioso. Nota 12!
Muito bem alimentados e felizes com a escolha, pegamos novamente o ônibus de volta a o Chiado.
Entramos em algumas lojas e depois seguimos caminhando pela linda Avenida da Liberdade, pela Avenida Fontes Pereira de Melo até chegar ao El Corte Inglés.
Essa parte da cidade nos mostrou uma Lisboa bem diferente daquela que havíamos encontrado no centro histórico, com avenidas largas, edifícios mais modernos e uma aparência muito mais organizada.
Passeamos pelo shopping e, enquanto eu dei uma bela volta pelos andares e pelas lojas das marcas mais famosas do mundo, o Mo assumiu uma função importantíssima: Ficou no “espera marido”.
Depois desse passeio voltamos a caminhar pelas agradáveis ruas da região até chegar à Manteigaria da Avenida Duque de Ávila.
A Manteigaria também produz os tradicionais pastéis de nata e é uma concorrente à altura dos famosos Pastéis de Belém. Compramos para levar para o Brasil. Vamos ver se vai dar certo!
Com nossa preciosa encomenda em mãos, estava na hora de voltar para o hotel.
Pegamos outro ônibus…Para o lado errado! Tivemos que descer logo em seguida.
O problema é que qualquer ônibus, para mim e para o Mo, já sai quase 40 reais!( 3,30 euros por pessoa)
Só de raiva, resolvemos caminhar os dois quilômetros que faltavam até o hotel.
Chegamos ao hotel já passava das nove da noite.
E assim terminamos nosso último dia de passeio: muita caminhada, ônibus certo, ônibus errado, miradouros, bairros históricos, lojas, bacalhau nota 12 e pastéis de nata na bagagem.
Depois de mais de um mês viajando, acabou a brincadeira!!!
Agora é hora de voltar para casa.
- Leste Europeu e Espanha
0 comentários:
Postar um comentário