Dia 35 - Um domingo caminhando pelas ruas de Lisboa
Hoje deixamos o Fenícius Charme Hotel perto das dez da manhã e saímos para caminhar por Lisboa. Sem grandes planos. A ideia era simplesmente andar e ver onde o dia nos levaria.
Fizemos uma pequena parada para tomar um cappuccino com croissant e depois seguimos pela Avenida Almirante Reis, passamos pelo Martim Moniz e chegamos à Praça do Rossio, oficialmente chamada Praça Dom Pedro IV.
O Rossio é uma das praças mais antigas e movimentadas de Lisboa e, há séculos, acompanha a história da cidade. No centro está a estátua de Dom Pedro IV de Portugal, que é ninguém menos que o nosso Dom Pedro I do Brasil. O chão, coberto pelas famosas pedras portuguesas formando desenhos em ondas pretas e brancas, é uma das características mais marcantes da praça. É muito parecido com o que temos em São Paulo.
Logo ao lado fica a Praça da Figueira, que durante muitos anos abrigou um dos principais mercados de Lisboa. Demos algumas voltas, entramos em lojas e continuamos caminhando até a Praça do Comércio, às margens do Tejo. O lugar estava lotado. Domingo, verão europeu, turistas para todos os lados…
A enorme praça, cercada pelos tradicionais edifícios amarelos, foi construída no local onde ficava o antigo Palácio Real, destruído pelo grande terremoto de 1755. Voltada para o Tejo, durante séculos foi uma das principais portas de entrada de Lisboa para quem chegava à cidade pelo rio.
Passamos pelo Arco da Rua Augusta e caminhamos pela famosa rua de pedestres, uma das mais movimentadas do centro histórico, entrando em algumas lojas. Depois seguimos até a Avenida da Liberdade, larga, arborizada, muito bonita e cheia de lojas de grifes internacionais. Construída no final do século XIX e inspirada nas grandes avenidas parisienses, é hoje uma das regiões mais elegantes da cidade.
No caminho, encontramos uma feirinha que provavelmente, acontece aos domingos. Havia barraquinhas de artesanato, roupas, objetos antigos e um pouco de tudo. Continuamos subindo em direção ao Príncipe Real, um dos bairros mais charmosos de Lisboa, conhecido pelos antigos casarões, jardins, pequenas lojas e restaurantes.
Antes de chegar ao Jardim Botânico, passamos pelo Eurostars Das Letras, hotel onde ficamos hospedados em 2015. Foi gostoso voltar ali. Há onze anos caminhávamos por essas mesmas ruas, numa outra viagem. Tiramos algumas fotos para registrar o reencontro e seguimos.
Entramos no Jardim Botânico de Lisboa, um enorme espaço verde escondido no meio da cidade. Achamos que está um pouquinho judiado, como muitos prédios históricos por aqui.
Saímos do jardim e fomos até a Praça do Príncipe Real. A região é charmosa, com casarões antigos, pequenas lojas, cafés e restaurantes.
Continuamos caminhando até o Mercado de Campo de Ourique. Quando chegamos, já estávamos com fome. O mercado mistura bancas tradicionais com pequenos restaurantes e estava bastante movimentado. Pedimos pastéis de bacalhau, sardinhas assadas na brasa e dois chopes.
Depois de comer…
Seguimos até a LX Factory, um antigo complexo industrial que hoje está cheio de restaurantes, lojinhas, cafés e muita arte urbana. É um espaço diferente e muito interessante. Entramos na famosa livraria Ler Devagar, instalada dentro de uma antiga gráfica. O prédio é enorme, com livros por todos os lados e até uma bicicleta voando no meio da livraria. Gostamos bastante.
Saímos da LX Factory e o Mo se recusou a seguir por mais 5 km a pé. Então pegamos um bonde e seguimos para Belém.
Descemos perto da Torre de Belém, caminhamos pela margem do Tejo e tiramos muitas fotos. O dia estava muito bonito e a região, como sempre, cheia de turistas. Depois seguimos até o Padrão dos Descobrimentos e Mosteiro dos Gerônimos.
Já era perto das seis da tarde quando finalmente resolvemos parar para almoçar (ou jantar).
Fomos até o restaurante “O Rio Marisqueira”, em Belém, e pedimos bacalhau à lagareiro. Estava nota 5. Bem fraquinho mesmo.
Depois do almoço seguimos até os famosos Pastéis de Belém. Não dava para terminar o dia sem experimentar uma das iguarias mais tradicionais de Portugal. A receita surgiu em 1837 e, até hoje, é mantida em segredo e preparada na chamada Oficina do Segredo.
Entramos na fila, pegamos o pastel para viagem e seguimos de bonde de volta para o centro.
Subimos então até o Chiado, onde fica A Brasileira, um dos cafés mais tradicionais de Lisboa. Inaugurado em 1905, o local tornou-se ponto de encontro de escritores e intelectuais e teve entre seus frequentadores mais ilustres Fernando Pessoa, que hoje está eternizado em uma estátua de bronze, sentado a uma das mesas da calçada, como se ainda estivesse por ali observando o movimento do bairro.
Lá reencontramos com o biso Ivo, a bisa Carmen, Mateus, Dante, Olívia e Kessia que passam uns dias por aqui.
Conversamos bastante e perto das 10 horas da noite nos despedimos, retornando a pé para o hotel.
Pernas cansadas, depois de quase 20 km de caminhada e a certeza de que amanhã, provavelmente, faremos tudo de novo…




