Dia 23 - Berlim - Último dia explorando a cidade

 Hoje foi o nosso último dia em Berlim.

Dizem as más línguas que Berlim não é a Alemanha. E, sinceramente, depois de alguns dias por aqui, até entendo quem pensa assim.

Há um caldeirão multicultural muito característico das grandes cidades da Europa. Gente do mundo inteiro, idiomas de todos os cantos, estilos completamente diferentes convivendo na mesma cidade.

Berlim foi devastada, dividida, reunificada… e talvez por isso tenha se tornado uma cidade extremamente prática.

Mantiveram alguns monumentos e até prédios com os resquícios da guerra, mas muita coisa foi refeita pensando mais na funcionalidade do que na beleza.

Os prédios mais novos, na minha opinião, não têm muito charme. Os antigos são bem conservados, mas existe uma certa desordem visual, principalmente no centro da cidade.

É uma mistura de viadutos, muros, monumentos, pichações, obras e construções de estilos completamente diferentes.

Confesso que, às vezes, acho a cidade fascinante. Em outros momentos, acho um horror.

À medida que nos afastamos do centro e seguimos para as áreas mais nobres, tudo muda. As ruas ficam mais elegantes, os prédios mais bonitos e a cidade parece respirar de outra forma.

Berlim também chama a atenção pelo estilo de vida. Muitos jovens trabalham cerca de 30 horas por semana, os shoppings fecham às oito da noite e tatuagens, cabelos coloridos e roupas extravagantes fazem parte da paisagem. Ninguém parece querer chamar atenção. Na verdade, todos parecem muito à vontade para ser exatamente como são.

Enfim… no verão até é uma cidade agradável. Mas fico imaginando como deve ser enfrentar os longos meses de frio e dias cinzentos. Não sei se conseguiria.

Hoje foi dia de passear sem rumo. Com uma temperatura finalmente agradável, pegamos o metrô para o nosso último encontro com a cidade.

Entramos em algumas lojas, fizemos as últimas compras e seguimos para o Memorial do Muro de Berlim, um lugar que ajuda a entender como uma cidade inteira viveu dividida durante décadas e como essa história ainda está muito presente na memória dos alemães.

A imagem de 1966 mostra um bairro que ainda conservava muitas construções próximas ao muro. Já em 1968, grande parte delas havia sido demolida para dar lugar à chamada “faixa da morte”, uma área completamente aberta, vigiada por soldados, torres de observação, cercas e barreiras, criada para impedir qualquer tentativa de fuga da Berlim Oriental para a Ocidental.

Essas barras metálicas marcam exatamente o traçado original do Muro de Berlim que, durante 28 anos, dividiu uma cidade inteira.

Capela da Reconciliação. Ela ocupa o lugar onde existia a Igreja da Reconciliação, construída no fim do século XIX, demolida por atrapalhar a área de vigilância.

Depois, seguimos para a ilha dos museus onde visitamos o Pergamon Panorama, uma exposição temporária criada enquanto o famoso Museu Pergamon permanece fechado para restauração. A enorme instalação em 360 graus impressiona e permite imaginar como era a antiga cidade de Pérgamo em seu auge.

Fórum Humboldt, que reproduz fielmente o antigo Palácio Real.

Gigante painel 3D ao fundo

Relíquias do museu

Para fechar o dia, encontramos nossos novos amigos, Fábio e Maria Helena, no Hackescher Markt, para um chopp de despedida.
 

Haus Schwarzenberg, um dos lugares mais alternativos e autênticos de Berlim, localizado em um beco próximo à Hackescher Markt.



Aliás, falando em chopp… tomamos muitos durante esses dias. A maioria sem estar tão gelada quanto estamos acostumados no Brasil. No começo estranhei. Agora acho que nem ligo mais. 

Já passava das nove da noite quando voltamos ao hotel. Arrumamos as malas, conferimos documentos, colocamos o despertador para as 3h50 da manhã e fomos dormir.

Amanhã deixamos a Alemanha para começar a última etapa da nossa viagem: a Espanha. 

0 comentários:

Postar um comentário