Dia 7 - Varsóvia → Auschwitz → Cracóvia - Visita ao Memorial de Auschwitz-Birkenau

 Hoje acordamos às 5h30 da manhã. Arrumamos as malas e seguimos a pé para a estação central de Varsóvia.

Nosso trem estava marcado para as 7h20, mas chegamos com uma hora de antecedência. Aproveitamos esse tempinho para mais um croissant acompanhado de cappuccino e, na hora certa, descemos para a plataforma.
  
  
Estação de trem central

Nosso trem

Embarcamos para uma viagem de cerca de quatro horas e meia até Oświęcim, a pequena cidade polonesa onde fica Auschwitz, o mais conhecido dos campos de concentração e extermínio criados pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Nossa visita estava agendada para as 12h15, com guia em espanhol.

Descemos na estação às 11h15 e caminhamos por cerca de 20 minutos, carregando as malas, até a entrada do memorial.
 
Quando chegamos ao local para guardar a bagagem no locker, o Mo descobriu que havia deixado sua bolsinha de tiracolo no trem, com documentos, cartões e dinheiro.

Pânico geral!

Eu perguntando:

— O passaporte? O cartão? Todo o dinheiro?

E ele tentando lembrar:

— O passaporte brasileiro, o cartão Wise e uns 200 euros…

Confesso que quase sorri. Não era uma tragédia completa.

O passaporte espanhol estava preso à cintura, junto com outro cartão de crédito e o restante do dinheiro.

Estávamos salvos… pelo menos por enquanto.

Mesmo assim, ele continuava em pânico.

Conseguimos o e-mail e o telefone da companhia ferroviária e enviamos uma mensagem explicando toda a situação. Também mandamos um WhatsApp. O problema é que hoje é domingo. Então não havia o que fazer.

Duas viagens… dois passaportes perdidos!

Aí já está ficando demais.

Temos que rezar para o santo protetor dos velhinhos viajantes continuar olhando por nós.

Isso porque eu havia pedido para ele manter a bolsa grudada ao corpo o tempo todo. Sabe o que ele fez? Enrolou a alça da bolsa no braço do assento do trem… E esqueceu tudo lá.

Bom, diante do fato de que “não há nada mais a fazer”, fomos aproveitar a visita ao museu. 

Auschwitz impressiona logo na chegada. O complexo foi criado em 1940 pelos nazistas e acabou se tornando o maior centro de extermínio da história.

Mais de 1,1 milhão de pessoas morreram ali, a grande maioria judeus, mas também poloneses, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e pessoas de diversas nacionalidades.

O passeio é longo e bem cansativo. São mais de três horas caminhando por pátios, corredores e pavilhões, subindo e descendo escadas, para conhecer onde milhares de pessoas viveram seus últimos dias.

É triste. Muito triste.

Mas eu já havia lido e ouvido bastante sobre o que encontraria ali.

Ainda assim, nada prepara completamente para a realidade.

O ser humano pode ser extremamente cruel.

A visita passa por fotografias das vítimas, alojamentos, beliches, celas, objetos pessoais e inúmeros artefatos capazes de embrulhar o estômago.

Fotos.

Sapatos.

Malas.

Óculos.

Utensílios.

Roupas.

E cabelos.

De tudo o que vimos, para mim os cabelos foram a parte mais impactante. Toneladas de cabelos raspados das vítimas eram recolhidas e enviadas para fábricas, onde eram utilizadas na produção de tecidos, mantas e outros produtos industriais.

O mais assustador é pensar que as empresas que recebiam essa “matéria-prima” sabiam exatamente de onde ela vinha.

Um verdadeiro horror de guerra.

  


















Durante o percurso também passamos sob o famoso portão com a inscrição “Arbeit Macht Frei” (“O trabalho liberta”), uma das imagens mais conhecidas do local. Uma ironia para quem sabia como funcionava aquele lugar.
 
Mais tarde seguimos para Birkenau, a segunda parte do complexo, onde ficavam os trilhos por onde chegavam os trens carregados de deportados e onde estavam as maiores estruturas de extermínio.

Ali, a dimensão da tragédia fica ainda mais evidente.

 




Terminada a visita, por volta das 16 horas, retornamos caminhando até a estação ferroviária, de onde embarcamos para Cracóvia.
 
Aguardando o trem

Seguimos viagem carregando muitas reflexões na bagagem — e torcendo para que a bolsa do Mo também apareça em algum setor de achados e perdidos.

Chegando à cidade de Cracóvia, fomos caminhando da estação ferroviária, que fica junto a um shopping, até o hotel, localizado no centro histórico.
 
Chegada a Cracóvia


Cerca de um quilômetro de caminhada. Deixamos as coisas no hotel e seguimos para o jantar.

O lugar escolhido foi um restaurante italiano, o Sorrento,  próximo ao coração da cidade.

Pedimos um espaguete com frutos do mar e um pappardelle, acompanhados de vinho. Foi nosso almoço e jantar!! Tudo estava muito bom!
 
Restaurante Sorrento



Restaurante Sorrento

Depois do jantar, ainda caminhamos um pouco pelo centro histórico e, perto das 9 da noite, retornamos ao hotel.










O dia foi bem corrido. E ainda teve teste para o coração.

Só “jovem” mesmo para tanta correria!!!

Amanhã tem mais Cracóvia

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