Dia 14 - Um dia na verdadeira Hanoi

O Vietnã é um dos países mais populosos do mundo, 26 vezes menor que o Brasil possui uma população de aproximadamente 103 milhões de habitantes. 

Ele também foi marcado por uma história intensa. 

Foi colônia da França por quase 70 anos, deixando marcas na arquitetura, na educação, na culinária e até no café que é muito, muito consumido por aqui. 

Também passou por conflitos internos e, por fim, a guerra com os Estados Unidos, que durou 20 anos, encerrada em 1975. 

Ainda assim, o que mais impressiona não é o passado de dor, mas a capacidade de reconstrução. O povo vietnamita parece alegre, seguiu em frente.

Hoje, o que vemos, é um crescimento acelerado, com muitas construções, reformas, muito trabalho. A população é jovem, com idade média em torno de 30 e poucos anos. 
E essa juventude ocupa as praças logo cedo, praticando esportes, tai chi, alongamentos, caminhadas e danças coletivas ao som de músicas populares. Não só os jovens. Velhos também. 

Vimos que as tradições ainda seguem vivas e integradas à vida moderna. Festas e rituais convivem com tecnologia, cafés modernos e um ritmo urbano muito parecido com os dos grandes centros do Ocidente. 

A comida prioriza vegetais, caldos, arroz, peixes e pouca carne. Pouco processada, as pessoas são magras e certamente sem os problemas de saúde do ocidente.

Embora seja um país comunista, com partido único, o Vietnã é economicamente capitalista. Desde as reformas conhecidas como Đổi Mới, iniciadas no fim dos anos 1980, o país abriu sua economia ao mercado. Hoje existem milhares de negócios privados, empreendedorismo e investimentos estrangeiros, startups, fábricas, comércio intenso e competição real. Lojas, cafés, shoppings e mercados funcionam livremente, o turismo é incentivado e marcas internacionais estão por toda parte. 

A desigualdade existe, e é visível, mas o país é frequentemente citado como um exemplo de superação histórica: saiu de uma das guerras mais destrutivas do século XX para se tornar uma das economias que mais crescem na Ásia, mantendo estabilidade política, forte senso coletivo e uma impressionante capacidade de seguir em frente.

Por fim, o que começou com preconceito da minha parte, virou admiração.

……

Hoje foi dia de conhecer a verdadeira Hanoi.

Saímos caminhando pelo Old Quarter, entrando em praticamente todos os seus becos.

O lugar é uma mistura de feirinha da madrugada do Brás, com a Zona Cerealista num sábado de manhã. Isso porque sou de São Paulo e essas são as referências que eu tenho.

Os becos, que à primeira vista lembram os becos das favelas que conhecemos, abrigam hostels, restaurantes muito bem avaliados, uma infinidade de camelôs vendendo comida de rua e, ao meio-dia… muita gente!

Muitos jovens, bem vestidos, em filas ou sentados em mesas de plástico, baixinhas, quase no chão, comendo um tipo de sopa — o prato mais visto por aqui — o famoso pho. Isso é o cotidiano deles.

É louco, caótico, mas muito interessante. Entramos em qualquer lugar sem medo. Aqui nos sentimos muito seguros. O único perigo é cair nas calçadas esburacadas ou ser atropelado por motos que surgem de todos os lados.

Aliás, essas mesmas motos ficam estacionadas na calçada ocupando o espaço que seria dos pedestres, obrigando todo mundo a andar na rua. Isso é uma coisa louca e bem irritante por aqui.

Em cada rua que entrávamos havia um tipo de comércio diferente: em uma, frutas; na outra, apenas doces; em outra, enfeites. Uma bagunça organizada.

No meio de tudo, um mercado gigante, o Chợ Đồng Xuân.

Nem de longe podemos chamar esse lugar de bonito, mas ele é extremamente autêntico. Quente, apertado e surreal.

No andar superior existem centenas, talvez milhares, de boxes com retalhos de tecidos — isso mesmo, são apenas retalhos!

Roupas, calçados e bijuterias também são vendidos nesse lugar. Um labirinto quase intransitável. Achei tudo muito, muito Brasil!!

Depois dessa incursão Brás–Zona Cerealista, fomos almoçar.



A carne sendo vendida na rua



Observe a pia no chão!

Becos com mesas e cadeiras para os clientes

Tuk tuk 

Preparando churrasquinho


Retalhos no Mercado Chợ Đồng Xuân.

 Mercado Chợ Đồng Xuân.

Preparados para o chá! 
  
Preparando o Pho

O restaurante escolhido ficava ao lado do nosso hotel, o Met Vietnamese. Muito bem avaliado, serviu o melhor rolinho primavera que comemos até agora, tanto o frito quanto o cozido. Delícia!

Nele encontramos uma brasileira que estuda na Alemanha e que está fazendo um intercâmbio por aqui. O mundo está ficando cada vez mais pequeno! 
  
Met Vietnamese - Pho e rolinho primavera

Met Vietnamese

De lá seguimos caminhando até chegar a outro ponto super famoso por aqui: a Train Street. Trata-se de uma linha férrea ativa que corta uma área residencial extremamente estreita, onde casas, cafés e bares ficam a poucos centímetros dos trilhos. Em horários específicos, o trem realmente passa, obrigando todos a recolher mesas, cadeiras e pessoas. Tudo isso misturado com turistas, enfeites e cores.

Percorremos o lugar tomando cuidado para não tropeçar nas calçadas esburacadas, nas motos estacionadas e nos próprios trilhos.
  






Depois caminhamos por cerca de uma hora por uma avenida larga, com um clima bem diferente do Old Quarter.
A rua Trần Phú fica justamente nessa transição entre o caos do Old Quarter e uma Hanoi mais organizada e institucional. É uma via larga e arborizada, onde estão prédios governamentais, ministérios, consulados e instituições oficiais.

Nos arredores ficam pontos importantes como o Mausoléu de Ho Chi Minh, o herói da pátria, e a Praça Ba Dinh.
  

Por fim, chegamos a um conjunto de prédios modernos onde fica o Lotte Center, um dos edifícios mais altos da cidade, com escritórios, hotel e shopping.

No topo está o Lotte Observation Deck (Sky Walk), um dos pontos mais altos abertos à visitação em Hanoi. 

Compramos o ingresso no térreo, pagando 45 reais por pessoa. O elevador até o 65º andar foi super-rápido. São 272 metros de altura e uma vista de tirar o fôlego.

Lá de cima, a vista é ampla, de 360 graus, e impressionante: dá para perceber como a cidade se espalha horizontalmente, com poucos prédios realmente altos, cortada por lagos, avenidas largas e algumas áreas verdes.

O lugar também possui um bar, uma lojinha e alguns pontos “instagramáveis”, como o piso transparente. Embora o dia estivesse com uma névoa, valeu a visita.

  

 Lotte Observation Deck 

 Lotte Observation Deck 

 Lotte Observation Deck 

 Lotte Observation Deck 

 Lotte Observation Deck 

 Lotte Observation Deck 

 Lotte Observation Deck 

De lá pegamos um Uber e voltamos para a rua do hotel, onde jantamos na Pepperoni Pizzeria, dando uma pausa na comida vietnamita.

Amanhã tem mais passeio.

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