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Hoje acordamos sem pressa. Tomamos café e arrumamos as malas para deixar Chiang Mai.
Chamamos um Grab, similar ao Uber no Brasil, e seguimos para o aeroporto para mais um voo: Hanói, a capital do Vietnã.
Com o passaporte e o visto vietnamita em mãos, embarcamos pontualmente às 13h20, em um voo de cerca de uma hora e meia.
O visto foi obtido pela internet, por meio de uma agência credenciada, ao custo de 70 dólares por pessoa. Seria possível solicitar o visto na chegada ao aeroporto, mas preferimos não arriscar.
Aterrissamos por volta das 15h e encaramos a longa fila da imigração.
Um transporte previamente contratado nos aguardava para nos levar ao centro da cidade. Nos próximos dias, ficaríamos hospedados no Hotel Du Lac.
Durante a espera na fila… Pânico! Meu passaporte havia sumido.
Procuramos nos bolsos, nas bolsas, e nada. Restou chamar um guarda e avisar:
— Perdi meu passaporte.
O passaporte do Mô continuava com ele.
Só podia ter caído no avião. Minutos antes de embarcar, eu havia apresentado o passaporte no portão 8. Entrei no avião, saí, não mexi em mais nada e o passaporte sumiu.
Tentei explicar tudo isso aos guardas.
O Mô foi atrás de ajuda e voltou ao portão pelo qual havíamos desembarcado, mas já estava tudo fechado. Não havia ninguém.
Mô falando: “Voltei ao ponto de desembarque e vi dois aviões. Presumi que um deles fosse o nosso, mas não havia ninguém.
Imaginei que encontraria algum funcionário da companhia que pudesse verificar a poltrona em que a Renata estava sentada. Bati com força na porta de vidro, mas ninguém apareceu. Dei uma volta e encontrei uma sala de embarque com algumas pessoas. Bati na porta e uma moça, com aparência de indiana, veio me atender.
No meio de toda essa confusão, eu mantinha a Rê informada pelo WhatsApp. A ‘indiana’ chamou uma pessoa que parecia ser funcionária do aeroporto e falava inglês. Ela entendeu a situação e pediu que eu aguardasse alguns minutos. Nesse meio-tempo, a Rê me ligou pedindo que eu voltasse urgentemente.”
Enquanto isso, eu tentava me entender com a polícia local usando o tradutor do Google.
A agente não me entendia. Em determinado momento, quiseram me levar para outro lugar. Eu disse que não podia sair dali, porque meu marido voltaria e não me encontraria.
Eles não acreditaram. Não acreditaram nem mesmo que o marido existia. Perguntavam:
— Cadê marido?
Fizeram com que eu assinasse um termo dizendo que havia entrado no país sem passaporte.
Comecei a implorar para que esperassem meu marido.
Liguei para o Mô pelo WhatsApp, usando a internet do aeroporto. Era uma emergência. Iam me levar para sei lá onde e nós acabaríamos nos perdendo.
Quando os guardas já estavam quase desistindo de esperar, o Mô apareceu. Viram que eu não estava mentindo, como pensavam.
O Mô tentou argumentar que precisávamos procurar o setor de achados e perdidos da companhia aérea. Os guardas disseram que já haviam comunicado a empresa, que ainda não tinham encontrado nada e que o avião já havia retornado a Chiang Mai.
Para completar, apreenderam o passaporte do Mô. Agora estávamos os dois sem passaporte.
Fomos levados para uma salinha dentro da área de embarque, com três quartos e três camas.
Os guardas nos liberaram para circular por ali. Podíamos comprar comida e ir ao banheiro.
Pedi ao Mô que localizasse o balcão da companhia aérea e tentasse obter alguma informação. Ele foi, e eu fiquei na salinha para não dar a impressão de que estávamos fugindo.
Enquanto isso, eu tentava entrar em contato com o Itamaraty, o consulado brasileiro em Hanói e a concierge da Mastercard.
A maioria dos contatos era por ligação. Havíamos comprado apenas um plano de dados da Holafly e também usávamos a internet do aeroporto. Não conseguíamos fazer chamadas locais.
Deitamo-nos na cama de casal, sem lençol e com apenas um travesseiro. Era o que nos restava: tentar dormir um pouco.
Tentei entrar em contato com a Claro para habilitar o roaming do celular, mas não consegui o atendimento necessário.
O Mô voltou acompanhado de um agente da companhia aérea, que informou que, até aquele momento, não haviam encontrado o passaporte, mas que nos avisariam caso surgisse alguma novidade.
Resolvemos, então, ligar para um amigo que talvez pudesse nos ajudar: nosso amigo Alcides.
Ele fez o que pôde e conseguiu o telefone da Embaixada do Brasil em Hanói. Era um contato de emergência pelo WhatsApp, pois, por causa do horário, a embaixada já estava fechada.
Logo no início da conversa, a pessoa informou que eu não conseguiria um novo passaporte e que, caso o documento perdido não fosse encontrado, seríamos deportados para o Brasil, pois não conseguiríamos entrar em nenhum outro país sem o passaporte brasileiro.
Depois de muita insistência, perguntou se eu tinha algum documento original comigo. E eu tinha: a CNH.
A princípio, disse que a CNH não serviria e que eu não conseguiria emitir outro passaporte.
Depois, porém, mudou o tom e explicou os passos para solicitar um novo documento, embora tenha informado que não sabia se o procedimento daria certo.
Paralelamente à conversa pelo WhatsApp, resolvemos comer alguma coisa em uma das lojas de conveniência do aeroporto.
A fome não veio. Embora já fossem oito da noite e eu ainda estivesse sem almoço, não consegui comer.
Enquanto o Mô jantava, eu preparava o formulário e os documentos solicitados para a emissão do novo passaporte.
Também pedimos ajuda à nossa filha, que estava no Brasil, pois o formulário precisava ser preenchido em um computador.
Já estávamos prestes a fazer a transferência bancária para pagar a taxa do passaporte quando o agente da companhia aérea voltou com a notícia:
ACHAMOS o passaporte!
Nem acreditamos. O passaporte havia caído dentro do avião.
Interrompemos todo o processo e agradecemos ao consulado, ao Alcides e à nossa filha.
Teríamos que aguardar até o dia seguinte, quando o voo de Chiang Mai das 13h20 — o mesmo que nos havia trazido — retornaria a Hanói, às 14h50.
Até lá, era esperar.
Na salinha, além de nós, havia duas senhoras irlandesas. Não entendemos exatamente o motivo, mas algum erro no visto de entrada as impediu de entrar no país. Elas chegaram às cinco da manhã e teriam que retornar, deportadas, à meia-noite. Duas senhoras de quase 70 anos. Tristeza total.
Quando chegou a hora do voo delas, nos despedimos. Desejaram-nos boa viagem. Que assim seja — e desejamos a elas um bom retorno.
1 comentários
Caraaaaaaaaca!!!!!
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